setembro 27, 2009

Caleidoscópio


Gira dentro, mira
Vê-se a forma e vira,
Cai de encaixe a peça,
Noutra cor sem pressa
Que girando brilha
Que mudando trilha,
Segue nova dança
Longe olho alcança
Curioso a vê-la,
Deslizante pela
Luz de uma estrela,
E com a mão movendo,
Vai se refazendo,
Toda caprichosa,
Numa grande rosa,
Que mais cintilante,
Tal qual um brilhante,
Pedra harmoniosa
Semi-preciosa,
A rolar vistosa
Dentro solta e lenta
Que girando inventa
Uma constelação,
Penas de pavão,
Gira e voa e vira
Logo se retira

Já depois mais belos,
Montam-se os elos
Verdes e amarelos,
Ardem tons de azuis,
Tão cheios de luz,
Mas não há demora,
Veja que agora,
Pontos de vermelho
Brilham no espelho,
Vertem-se turquesas
Sutis realezas
Em laranjas crescem
Em rubis padecem
Quando tanto mais
Tombam de lilás
Pontos-luz diversos
Cem mil universos
Manto violeta
Tons de borboleta
E girando fácil,
Pleno de minúcias,
E cedendo ao vício,
Degustando o ócio,
Remontando as luzes,
Ligando as matizes,
Colorindo as asas,
Revirando as coisas
Encaixando as cores,
Desenhando em pares
Um milhão de flores
Uma mão movendo
Oco de olho lendo
Que mirando gira
Que girando muda
Que mudando acende
Que acendendo inspira
Que inspirando vira
Outra forma e mira.

Ricardo Fabião (Junho, 2000)

setembro 18, 2009

Engrenagem


a vida
a arte
o teatro
o camarim
o espetáculo
o desdém
o engasgo
a penumbra
a saída
a rua
a lua
a esquina
o instante
o pensamento
a decisão
a ponte
o olhar
a estrela
o salto
o vento
a velocidade
a água
a bolha
o nariz
o desespero
o barulho
o silêncio
o oco
a notícia
a lembrança
o aplauso
o sucesso
o prêmio
o nome
o tempo
a arte.

Ricardo Fabião (Setembro, 2009)

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