julho 10, 2010

Vida a dois


Para tentar dois em um - dois
Para confirmar um por dois - um
Para três quartos do amor - um
Para oito quintos de crise - dois
Para três tempos insistindo - um
Para um tanto de impasse - dois
Para cinco sextos de sofrer - um
Para um sexto do outro - silêncio
Para duas vezes ao dia - engasgo
Para um trago de dor - memória
Para dois tantos de tudo - um
Para o que resta de pouco - outro
Para sete nonos de aposta - um
Para o restante evitado - outro
Para noites de comemoração - um
Para resposta aos amigos - dois
Para onze décimos de farpas - dois
Para retornos interditados - dois
Para olhares incompatíveis - dois
Para novas possibilidades - poucos
Para oito oitavos de vazio - talvez
Para viver o resto dos dias - dois
Para um caminho avançando - um
Para um caminho ficando - outro
Para histórias partilhadas - um
Para tempos que não se atam - dois
Para depois da intolerância - dois
Para fim de um por um só - depois
Para um responder aos dois - tempo

Para tudo depois - o que é dos dois
Quando talvez dois diluídos em um
Ou para dois sendo um sem outro
Quando, para dois destinos, dois

Ricardo Fabião (dezembro, 2009)

9 comentários:

  1. É impresionante a descrição implicíta e ao mesmo tempo explícita da (in)satisfação humana no relacionar-se!
    Traduz tudo a respeito desse cotidiano que as pessoas tanto vivem.
    Fantástico!
    Andressa Fabião

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  2. Pois é. O "dois" nunca pode ser "um". Se fosse que graça teria! Mas o "dois" pode ser três, quatro... As infinitas possibilidades do "dois", desde que se possa introduzir-se um leque de variáveis na "equação" . Variáveis de primeiro grau e de segundo grau: carinho, reconhecimento das fraquezas dos outros, sentimentos de pertença, boas histórias (e estórias). Nesse sentido, a equação pode se equilibrar num ponto agradável para o "dois". Pois desejamos e amamos não o "um", pois, acredito, não existe o "um", isoladamente(e as nossas máscaras, não são múltiplas? E as nossas emoções vividas não seraim espécies de entidades, um novo "um"). Por isso, digo (ou acredito): amor, afeição, relação a dois são variáveis imponderáveis, mas, com um jeitinho e arejamento de espírito, os números podem ser também. Sempre acredito na possibilidade de rearrumação dos números em prol de um "um" (que é dois e muito mais), especialemnte, quando tratamos de narrativas dignas de um grande livro de amor.....

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  3. Essa parece ser a lógica da razão compartilhada. Belo texto.

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  4. Sabe tudo, poeta. Matemática perfeita de uma cons-ciência inexata, humana, demasiada humana...
    abs

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  5. Companheiro, vim aqui perguntar se posso reproduzir o Pontes sobre vazios no meu outro blog, o Cronisias? No mais é sempre bom passar por aqui.
    Grande abraço e aguardo resposta.

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  6. Agradeço aos pensadores e poetas
    os comentários expostos acima.
    São motivadores, inspiradores.

    Beijos;
    abraços.

    Ricardo

    Fred, fiquei feliz com o
    teu pedido. A resposta não poderia
    ser outra: sim.

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  7. Agradeço, Ricardo. Seu texto já está no ar. Abraços.

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  8. Ricardo. Magnífica postagem. confuso? sim! Mas é bom, para que prestemos mais atenção a quem está ao nosso ladinho... Seja quem for, familiares, um vizinho, um amigo, alguém que nos pergunta:"-Por favor, pode me ajudar?". Parabéns. Seria muito saudável esse Texto ser colocado no Mínimo Ajuste para que um universo maior o lesse, para "se" perceber e prestar atenção a quem está ao ladinho não é não?! Parabéns! Coisa boa foi passar pela sua Casa!
    Com amor e carinho,
    Sílvia
    PS.: Há novas Postagens minhas no meu Blog. Sinta-se bem vindo!
    http://www.silviacostardi.com/

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