agosto 25, 2009

Varal de estrelas (poema)


Quando empino palavras
não basta lhes apresentar o céu...
quero delas vê-las assim tão empinadas,
que algumas não retornem nunca,
que se transformem em azul e chovam nuvens,
ou permaneçam suspensas que nem raios,
e outras que voltem ao chão com vários vãos,
(de tudo que há de não se dizer)
alegando verbos de não servir conjugar,
implicando frases, coisa de não se afirmar,
para que também a alma empinada seja,
e busque outras além disso de um quê fincado,
e se deixe estender num varal iluminado ...
quando enfim empinadas distantes,
alma e palavras errantes
recolham cacos de espelhos de estrelas,
e gritem duzentas mil vezes o que não está lá,
e disso alto eu me projete só de poder vê-las,
e tanto longe seja ir quanto possa decifrá-las,
dentro, silenciosamente em profundo, sê-las,
dê-se pois o encontro de alma e palavras.
E, talvez, sendo de senti-las eu as veja
conectadas, a que empinada à que fincada esteja,
uma haja pela outra,
e todo resto plane...

Ricardo Fabião (Junho, 2009)

"Olho da estrela" é o nome da imagem ao lado do poema,
de minha autoria.

Um comentário:

  1. Oi Ricardo!

    E não são elas mesmas que vêm e nos fincam e nos voam? E nos magoam e nos enrubescem de prazer? Existimos mesmo é pelas palavras ditas e não ditas, reditas. Benditas palavras se as bem dizemos assim e que o virá delas... imprevisíveis palavras do não pensar e de tanto pensar...
    Belo texto!
    Abraço, Keila

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