março 21, 2010

Semeadura

Possa eu sempre que possível
Deixar um tanto de alma
Por onde passo com minha poesia...
E que lá esses fragmentos de vida
Avancem sobre outras dimensões;
E já não seja eu a soprar essa força.
O poema terá suas mãos e boca,
E dirá coisas que eu jamais disse.
E eu de longe, como pai e amigo,
A observar vida além da minha
Sendo colhida para alíviar dor alheia,
Para florescimento de outra vida,
Que com outras serão as sementes
De breve verdejar sobre as planícies.
Até que novamente tudo seja colhido:
O homem, a história, o instante...

Possa eu sempre que possível
Colher e ser colheita.


Ricardo Fabião (março - 2010)


Original da imagem: http://blografa.zip.net/images/semente.jpg 

3 comentários:

  1. Ricardo, as sementes estão espalhadas... Pedaços de poesias que brotam aqui e alí...
    Pedaços de alma..
    Canteiros de palavras...


    É só colher... com as mãos do amor...


    Beijos!

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  2. Eu achei a foto muito expressiva, e diz o texto inteiro. É incrivel como nascemos, crescemos e gostaríamos de voltar a ser plantados novamente.

    Eu me sinto querendo voltar feito a foto.
    Mas o que possa parecer o fim de tudo, pode ser um grande começo.

    Um beijao.

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  3. Ao ler esse poema, não tive como fugir de um fragmento de Chico Buarque: "Passas sem ver teu vigia, catando a poesia que entornas no chão".
    Parabéns, Ricardo!

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