março 03, 2010

Combustão


E com estrelas piscando dentro da alma,
e com as células repletas de mundos,
vou rabiscando os vazios da existência
até que se tornem caminhos e passos...

Lanço olhares sobre a guerra dos homens
e choro baixinho por trás das cortinas;
a desejar que sejam apenas pesadelos,
e que logo se agigante uma nova aurora.

Por isso com minhas alegrias de menino,
desço aos porões onde florescem poesias,
a colher uma por uma com preciso zelo;
e os braços coloridos de verdes e laranjas
não são meus somente, são as sementes,
grãos para as manhãs que ainda dormem...

Levo isso por onde vou: estrelas e poesias,
e não temo adentrar escuridões nem limos,
pois lume não falta que me leve adiante,
nem distância há que vença meus anseios...

E por onde segue minha febril carruagem,
alcanço de olhos ao longe sobre os ombros
alguém que apanha um verso meu deixado;
e logo vê-se a chama dentro dos cercados,
assim instantaneamente que milagre parece,
o desejo de investir amor contra as paredes,
e força de ousar paixões para além da estrada,
de não ser apenas mais um só dentro do todo,
por ser brilhando com tudo um de dentro sol.

Ricardo Fabião (Março - 2010)

Um comentário:

  1. Encantador, eu sabia que ao vir aqui, encontrarias as mesmas palavras, e os mesmo sentidos, mas em outras formas descritas.
    Você é um poeta de mão cheia, eu ainda sou apenas um grãouzinho que está crescendo e aprendendo com as circustância.
    Cara, suas palavras em meu blog são as melhores que já me disseram, é uma expressão totalmente nitida, e você consegue entender o que quero passar e descreve como ninguém.

    Eu simplesmente agradeço, e saiba que vou aprender muito com seu blog.

    Obrigado mesmo.
    Vou aparecer, sempre.

    Abração, enorme.

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