maio 13, 2010

Correnteza



Para Virginia Woolf

E se todas as compotas forem abertas,
E se essa ânsia estender-se ao máximo,
E se depois ele sair do seu esconderijo,
E se pegar os caminhos que guardo aqui,
E se me tomar onde estou partida em vãos,
E se me subir à cabeça que eu mais descer,
E se assim eu mais permitir de me perder,
E se não houver tempo de mais respirar,
E se explodir todo chão dentro de mim,
E se esse devaneio me conduzir adiante,
E se tudo que guardo for embora junto,
E se essa sede secar de tanto que avança,
E se for essa velocidade a levar o meu ar,
E se houver um motor dentro da carne,
E se vier tão rapidamente que eu não saiba,
E se meus bloqueios não tiverem força,
E se as barragens não forem resistentes,
E se tudo saindo levar minha alma longe,
Eu vou, vou, vou, vou, vou só comigo,
Cair de solidão inteira depois das horas,
Poís o que sigo sozinha é disso que cai.

E se não há ouvidos para meus apelos,
E se ele não aparece, eu invento tudo,
E se não existem dois nesse meu mundo,
Há somente noite, dedos e procura.

Ricardo Fabião (maio - 2010)

6 comentários:

  1. Ricardo, perfeito o teu poema. Deu pra sentir e vestir.
    Parabéns pelo teu blog.

    ResponderExcluir
  2. E se eu não tivesse sido contemplado com esse texto?
    Parabéns pela forma e conteúdo, meu velho.
    Beleza de post!
    Tenha um ótimo final de semana.

    ResponderExcluir
  3. E se é assim tentar significar o quanto não estamos em nós mesmos,
    deixemos tudo pois à poesia, que levará a outros abrigos a
    nossa incerteza de ser.

    Renata e Jairo,
    Agradeço a visita.

    Abraços.
    Ricardo.

    ResponderExcluir
  4. A solidão nos proporciona uma infinidade de reflexões... Belo texto, Ricardo!

    Beijo,
    Ane

    ResponderExcluir
  5. Ricardo Fabião
    Aqui cheguei,li e gostei.
    Meus cumprimentos a você,

    Efigênia Coutinho

    in New York

    ResponderExcluir
  6. Eis aí uma escritora que estou em débito com sua literatura.
    Quero em breve me adentrar no universo da fêmea.

    Abraço forte, Fabião.
    O baiano aqui vai começar a morar em tua terra daqui a poucos dias.

    Que os Anjos de Augusto me ilumem as rotas.

    Sigamos...

    ResponderExcluir